Blog temporariamente sem atualização.
Estou em missão na Europa Ocidental.
Saudações a todos
Rodrigo Paixão
Publicado por Rodrigo Paixão em Agosto 31, 2009
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Saudações a todos
Rodrigo Paixão
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Publicado por Rodrigo Paixão em Maio 29, 2009
Na história, muitas vezes, são criados falsos consensos. Esses consensos, em geral, são pactuados mesmo entre forças políticas que duelam pelo poder. Em Vinhedo, a Santa Casa é o melhor exemplo disso. A Irmandade, direção legal e responsável, composta por várias colorações políticas da cidade, garante a blindagem da entidade, para todos os efeitos.
Alguns jornalistas, líderes políticos e comunitários, costumam rechaçar qualquer tipo de crítica que se faça à Santa Casa. Mais do que isso, costumam tratar os autores das críticas ou das denúncias como inimigos da saúde pública. Foi o caso, por exemplo, da luta feita pelo Dr. Reinaldo Motta Miranda.
Segundo a tese da defesa incondicional, não existe o que se fazer, a não ser “preservar a imagem” da entidade e tentar “recuperar” suas finanças. Esquecem de dizer os interlocutores dessa defesa que a imagem da Santa Casa foi atingida por parte de seus gestores e que essa dívida não pertence à cidade.
Ao longo desses últimos anos, uma série de denúncias foi apresentada às autoridades competentes: falta ou demora no atendimento, encaminhamentos inadequados, promiscuidade entre o público e o privado, superfaturamentos e mau uso da estrutura da instituição. Um cidadão de bem acha correto cobrar de jovens mamães vinhedenses R$ 500,00 para um obstetra fazer uma cesariana usando uma estrutura paga com dinheiro público?! Não são todos os médicos de lá que fazem isso, mas existe quem o faça.
Acompanhei de perto muitos desses casos que beiram o ridículo, mas como não pedi autorização para os envolvidos, relatarei o que envolveu minha família. Há alguns anos atrás, meu irmão, após ficar em observação, para avaliação de uma inflamação na região do pescoço, adquiriu uma Septicemia no interior da Santa Casa.
Sob os cuidados de médicos recém-formados, ele ficou durante dois dias com os sintomas da infecção generalizada: calafrios, respiração rápida, batimentos cardíacos acelerados, mal-estar, alternância entre febre alta e diminuição da temperatura corporal, manchas na pele, letargia e apatia. O abdômen dilatado, sinal de que os rins, pâncreas e intestinos estavam comprometidos, estava sendo tratado como se fosse “acúmulo de gases” na barriga.
Víamos que seu estado caminhava rapidamente para uma fase terminal que o levaria a morte. Por conta própria, eu, alguns amigos, e minha companheira naquela época, iniciamos uma série de contatos: quatro médicos, após descrevermos os sintomas, falaram, por telefone, que se tratava de uma Septicemia.
Já havia entrado na chamada fase de “choque séptico” e os órgãos vitais já estavam seriamente comprometidos. Não sei se me orgulho ou sinto vergonha de dizer isso, mas ele só foi salvo naquele momento após ameaçarmos os responsáveis de que relataríamos o ocorrido para a cidade e processaríamos criminal e civilmente a entidade e seus gestores.
O fato de ser meu irmão permitiu que fosse realizada uma transferência imediata para o Hospital de Jundiaí. Chegou desacreditado, mas após duas semanas de internação, saiu com saúde. Resolvi esperar alguns anos para falar sobre isso, pois poderia o fazer de forma passional. Nem nos processos eleitorais utilizei o episódio, tampouco processei a Santa Casa. Mas o fato é que este caso que vivi pessoalmente se soma a centenas de outros que ocorreram, nem todos com o mesmo desfecho.
A Santa Casa vive há muitos anos uma crise política e financeira. Muitos dos seus ex-funcionários que foram demitidos não conseguiram receber suas verbas rescisórias e isto deveria ser vergonhoso em uma cidade como a nossa. “A Santa Casa é comandada por uma ‘Máfia de Branco’”.
Essa frase não foi dita por mim, e sim pelo Prefeito, em plenário da Câmara Municipal, em seu mandato anterior. O atual Prefeito sempre usou a Santa Casa como fonte de propaganda política e sempre indicou apadrinhados seus para o comando da entidade. Mas quando é questionado sobre os problemas, faz que não é com ele.
Continua escondendo da cidade que a Santa Casa é uma bomba relógio e que sua dívida é impagável, e continua crescendo. No ano passado estava em torno de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais) o que daria, utilizando um parâmetro grosseiro, para construir e equipar dois modernos hospitais.
Estou convencido que a melhor saída é a Construção de um Hospital Público Municipal com serviços integrados entre as Unidades Básicas de Saúde e o Centro Médico do São Matheus. No Programa de Governo entregue pela coalizão liderada por Milton Serafim, nos últimos dias das eleições, entre outras generalidades, trás na página 20 a proposta de “estudar a viabilidade para a construção de um Hospital Público Municipal”.
O fato é que construir um Hospital significa ter coragem de enfrentar os interesses particulares que vivem à sombra da Santa Casa. Significa ter compromisso com o povo de Vinhedo. Significa, inclusive, reconhecer o belo papel que a Santa Casa já cumpriu na cidade, mas, que agora, se esgotou.
Quanto ao Presidente da Associação Médica, Reinaldo Motta Miranda, certamente, a história o absolverá.
Vinhedo, 29 de maio de 2009.
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Publicado por Rodrigo Paixão em Maio 22, 2009
Muitas pessoas, em conversas políticas da cidade têm me questionado sobre como poderiam participar de forma mais efetiva da política municipal. Em algumas dessas conversas, quando indagado, respondi que uma das medidas que certamente contribuiria com uma maior participação, de forma geral, é a democratização da informação e por conseqüência, também do poder.
É inegável que os jornais, sites, revistas e blogs que temos na cidade cumprem uma tarefa importante e sem eles ficaríamos ainda mais reféns de desmandos e da informação passadas de forma desorganizada e distorcida. Mas, também é verdade que existe uma necessidade de circulação de informações que permita ao cidadão vinhedense formar livremente suas opiniões.
Vinhedo é moderna em vários aspectos, mas atrasada em outros. A política em nossa cidade ainda é permeada pelo coronelismo e pelo populismo e, muitas vezes, o debate de idéias e de projetos para a cidade é secundarizado. Nas eleições municipais do ano passado, por exemplo, lembro que restava um mês para o dia da eleição, e o único Programa de Governo que circulava era o da candidatura que eu representava naquele momento.
Nossa cidade não possui um Diário Oficial. Não é um problema de falta de recursos, e sim, de vontade política. Vinhedo tem condições de fazer um Diário Oficial com uma linguagem acessível para a maioria da população, que poderia ser digital (pela internet) e também impresso, disponibilizado nos principais espaços da cidade.
Já tivemos problemas demais com a centralização das decisões e das informações em Vinhedo. “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente” é uma frase conhecida do historiador Jonh Dalberg-Acton que se encaixa perfeitamente a realidade da nossa realidade. Quem decide e por onde circulam informações relativas à aprovação de loteamentos?
É uma perigosa concentração de poder que deve ser alterada. A estrutura e os métodos atuais de administração estimulam os jogos de interesses de grupos políticos e econômicos. Temos que ter regras claras e objetivas para aprovação de loteamentos que permitam seu acompanhamento público.
Participação popular não pode ser peça publicitária. Dar cerveja e churrasco não é participação popular, é expressão da política do pão e circo. Temos que criar mecanismos reais de participação, onde a população possa decidir sobre as prioridades e fiscalizar a execução das políticas públicas. Isto daria também mais conteúdo para a imprensa contribuir com este debate sobre o futuro da cidade.
É clara a tendência à centralização e ao populismo no atual Governo. As decisões, em regra, são tomadas por poucos. Uma máquina pública que dificulta o acesso as informações além de mais cara – porque é viciada – estimula a corrupção.
As licitações para aquisição de bens e serviços para a administração pública precisam de uma transparência muito maior do que a que ocorre. Considero também fundamental uma Auditoria Pública nas finanças dos últimos Governos, bem como na Santa Casa. Dar poder de decisão para os Conselhos Municipais é outra medida que faria diferença.
Depois de tantas notícias envolvendo negativamente o nome de autoridades da cidade (não só do poder executivo), deveríamos, em nome da construção de uma cidade justa e solidária, tomar medidas de impacto. A criação da Rádio da Câmara Municipal para transmitir em tempo real as sessões é uma iniciativa importante e ousada anunciada pelo Presidente do Legislativo e que merece o devido reconhecimento.
A transparência e o combate a corrupção não pode ser resultado apenas da boa vontade ou da honestidade de um determinado líder ou grupo político. Precisamos criar mecanismos efetivos de participação dos cidadãos na construção do presente e do futuro da cidade, para que pessoas íntegras e de posições nítidas e firmes participem da política de Vinhedo.
Vinhedo, 22 de maio de 2009.
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Publicado por Rodrigo Paixão em Maio 15, 2009
Nos últimos dias ocorreram fatos que renderiam bons comentários neste espaço. Creio que o que mais chamou atenção da cidade foi o protesto realizado na Praça Sant’anna, contra a atual falta de segurança em Vinhedo.
Apesar da ansiedade de também opinar sobre o tema, escreverei sobre segurança pública em outro momento, na esperança de que o governo municipal se pronunciará brevemente. É razoável que o faça, já que o PTB, além de principal partido na administração, também faz parte dos governos estadual e federal.
Também me conterei e não farei comentários sobre a estranha aprovação de mais cargos na SANEBAVI e da não menos estranha apatia do Sindicato dos Servidores diante do aumento, próximo a inflação (7%), dado pelo principal responsável pelas atuais perdas salariais de cerca de 30%.
Dois outros fatos provocaram uma reflexão sobre o futuro de Vinhedo. Mais especificamente, sobre o futuro do trânsito e da mobilidade urbana. Dirigindo pela cidade essa semana, percebi o empenho da administração em fazer a recuperação do asfalto nas regiões de visibilidade. Percebi também, no sábado que antecedeu o dia das mães, o quanto caótico está nosso trânsito.
Com uma maior concentração de veículos no Centro, a circulação parou em diversos momentos. É isso que acontece em horários de pico na Estrada da Boiada e em outros pontos do município.
Vinhedo é uma cidade que cresceu muito rápido nos últimos anos. Tem ainda, o agravante de ter um crescimento que é horizontal e que muitas vezes privilegiou a especulação imobiliária em detrimento do planejamento urbano, submetendo a natureza e a mobilidade a seus interesses.
A cidade que apareceu como a sexta economia mais dinâmica do país, tem uma frota que ultrapassa os 30.000 veículos (mais de um carro para cada duas pessoas), mas que não tem uma contrapartida em infra-estrutura viária.
Como nosso território é extremamente limitado (82 km²), temos que pensar para onde caminhamos. O Plano Diretor, por exemplo, prevê uma série de novas ligações viárias que poderiam melhorar a fluidez e a acessibilidade do nosso trânsito, como a ligação da Avenida Independência entre Vinhedo e Valinhos. Não parece, entretanto, ter sido prioridade dos últimos governantes.
Se é verdade que queremos construir uma cidade que seja moderna, justa, democrática e eficiente, Vinhedo terá que pensar em formas alternativas para o deslocamento das pessoas. Nosso sistema de trânsito tem que garantir segurança, capilaridade e fluidez para todas as áreas do município.
Para uma cidade rica como a nossa, o transporte público é muito ruim. Além de caro, ele não chega a algumas regiões mais retiradas da cidade. Falei em artigo anterior sobre a vergonha de não termos o bilhete único para que as pessoas não paguem duas passagens para locomoverem-se por pequenas distâncias.
A demanda da população nem sempre é levada em consideração. Quem mora, por exemplo, no Jardim Três Irmãos e depende do transporte público no final de semana, tem que se preparar muitas vezes para demoras de quase duas horas para pegar um ônibus.
Nos finais de semana, onde um trabalhador que recebe o vale transporte para circular nos dias normais, gostaria de ir na Represa II ou em outro ponto do município com a família, deveria, a exemplo de outras cidades do país, ter uma tarifação mais barata.
Quando se fala do problema do trânsito, sempre vem a idéia de criar pedágios. Milton já tentou em duas ocasiões e foi derrotado pela população organizada. Rumores de bastidores dão conta que essa idéia poderá voltar a tona. Vinhedo já tem muros demais, o que precisamos é de melhorarias no sistema viário atendendo às necessidades da população, à proteção do pedestre e do ciclista e ao controle social.
Temos que ter um bom transporte público que leve a diminuição da necessidade de uso de veículos particulares. Também não parece ser uma idéia fora do comum o município adotar, de forma ordenada, o transporte alternativo e mesmo investir em ciclovias.
A primeira cidade da América Latina que instalou o geoprocessamento digital através de satélites, precisa não só fazer recuperação asfáltica na região central. Para resolver o problema com nosso trânsito, precisamos de um planejamento estratégico que ao invés de muros, agora crie pontes entres as pessoas.
Vinhedo, 15 de maio de 2009.
Enviado em Direitos sociais, Loteamentos, Pedágios, Planejamento Urbano, Plano Diretor, Políticas Públicas, Trânsito, Vinhedo | Tagged: avenida independência, bilhete único, ciclovia, estrada da boiada, jardim três irmãos, Pedágio, Planejamento Urbano, Plano Diretor, protesto, ptb, Sanebavi, Segurança, servidores, sindicato dos servidores, transporte alternativo, Trânsito, Vinhedo | Deixar um comentário »
Publicado por Rodrigo Paixão em Maio 9, 2009
Essa semana um fato, que a princípio pode parecer corriqueiro e sem muita importância, me chamou a atenção. No último dia 04, durante cerca de 10 horas consecutivas, o Bairro da Capela ficou sem energia elétrica.
Não é a primeira vez que a maior e mais populosa região da cidade tem restrição, com duração prolongada, de algum serviço, ainda que houvesse uma explicação técnica. É bom lembrar que, no início deste mandato, a Capela ficou sem receber água durante 25 horas.
Sempre é dada alguma explicação. “A falta d’água foi por conta da bomba que quebrou”. “Faltou luz por conta da tempestade”. Esses argumentos, no entanto, não anulam o fato de que há uma demora absurda do governo para resolver assuntos relacionados ao bairro que ironicamente, segundo indicam os números, é a principal base eleitoral do atual Prefeito.
Existe, na minha opinião, um mito de que muito se faz pela Capela em detrimento do restante da cidade. A Capela, onde vivem aproximadamente 30% das famílias vinhedenses, é também uma das regiões com maior carência de presença do governo municipal. Este bairro, muitas vezes, sofre uma exclusão sócio-espacial que deveria ser inadmissível em uma cidade como a nossa. O pontilhão da Anhanguera, simbólica e arquitetonicamente divide esta parte da cidade.
Vejamos alguns fatos. Como funciona o serviço de transporte público para um trabalhador que mora na Capela e trabalha no Santa Fé? Ele tem que pagar duas passagens de ônibus, porque a ineficiência dos últimos governantes não conseguiu negociar com a empresa concessionária o bilhete único.
Ao final de 2004, existia um déficit grande de vagas nas creches que até hoje não foi equacionado. Mais do que isso, a educação infantil está com sérios problemas em relação ao número de crianças que ficam sob cuidado das monitoras, que é muito elevado.
Como pode 1/3 dos moradores – considerando acesso só do bairro – ficar sem a internet banda larga? Nem Milton, nem Kalu resolveram este problema, o que é vexatório para história de ambos. Só agora, com muita pressão popular e com a organização de pessoas preocupadas com a inclusão digital que este serviço chegará.
Praticamente inexiste uma política pública voltada para a juventude e os espaços de cultura, esporte e lazer são muito reduzidos. A propósito, democratização da cultura e amplo acesso aos bens artísticos e culturais são pautas que estão organizando setores importantes da cidade.
O Conselho Tutelar registra neste bairro a maior parte de casos relacionados à infância e à adolescência. Muitos fingem não saber que nas madrugadas das ruas do Principado é possível encontrar meninas vendendo o corpo por R$ 10,00 para comprar pedras de crack.
Apesar dos números pujantes da riqueza de Vinhedo, nem sempre isso é revertido em benefício da maioria da população, e a Capela é um exemplo claro disso. Com um dos maiores orçamentos do país, é possível ter programas sociais que resolvam muitos dos problemas presentes naquele bairro, mas o que vemos é muita propaganda e pouca ação.
Se analisarmos fria e honestamente os oito anos do governo Milton Serafim (1997-2004) e compararmos, com os dois governos Jonas Ferragut, os dois governos Zé Gasparini e o último governo Kalu, verificaremos que é errada a idéia que Milton se destacou. Se os oito anos de governo Milton tivessem sido tão significativos, ele teria feito seu sucessor em 2004.
Mas, então, de onde vem aquilo que seus aliados chamam de “força do povo”?
O Governo Milton produziu um marketing habilidoso que convenceu as pessoas que grandes obras como a duplicação da Estrada da Capela (feita pelo governo do Estado), a Praça Central do Bairro (feita pelo Hopi Hari) e os loteamentos Vida Nova I e II (vendidos e caros) se convertessem em grandes obras de sua autoria.
É inegável também que Milton é um líder carismático e um grande comandante na política. Numa sociedade cada vez mais individualizada, as pessoas também estão cada vez mais carentes, e um líder que consegue dar “tapinha nas costas” o tempo todo, costuma fazer diferença.
O que Milton não tem é a inserção social organizada que o PT lhe ofertou em 1996. Tampouco tem a mesma credibilidade, pois está sob suspeição e com processos na justiça. Aliado ao fato que foi eleito com os votos de menos da metade da população, a “força do povo” está muito mais presente entre aqueles que são agentes transformadores dessa realidade em nossa cidade e não com o Prefeito.
Vinhedo, 06 de maio de 2009.
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