Blog do Rodrigo Paixão

Opiniões, artigos e comentários sobre a conjuntura política da cidade de Vinhedo e do país – Fórum de debates e propostas para o município.

Perdemos Daniel Bensaid

Publicado por Rodrigo Paixão em janeiro 12, 2010

retirado da página de Francisco Louçã no Fecebook

Faleceu hoje Daniel Bensaid, filósofo e militante político. Nascido em Toulouse há 64 anos, foi um dos dirigentes mais destacadas do Maio de 68, sendo um dos iniciadores do Movimento 22 de Março, ao lado de Cohn Bendit e de outros activistas. Fundador da LCR francesa e depois do NPA (Novo Partido Anticapitalista) , Bensaid acompanhou directamente a revolução portuguesa colaborando com a LCI e PSR e participando em comícios e outras actividades políticas nos anos de 1974 e 1975 e posteriores. Teve uma intensa cooperação com o Bloco de Esquerda desde a sua criação.

Publicou vários livros de ensaio político, de debate e de filosofia, sobretudo sobre Karl Marx, Walter Benjamim e o pensamento socialista contemporâneo, e afirmou-se como um dos mais importantes pensadores revolucionários dos anos do combate ao Império, à guerra e ao liberalismo selvagem que é o capitalismo realmente existente.

Foi também um amigo e um camarada, e lamento profundamente o seu desaparecimento. A paciência impaciente das suas ideias é um convite à resistência e à rebeldia: assim foi Daniel Bensaid, até ao fim, na luta contra a doença como na luta pela vida toda.

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Receita de Ano Novo – Drummond

Publicado por Rodrigo Paixão em janeiro 1, 2010

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

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O transporte coletivo que queremos

Publicado por Rodrigo Paixão em dezembro 19, 2009

Toda vez que leio a frase “A Cidade que Queremos”, estampada em diversos pontos da cidade, uma pergunta me provoca: “Quem queremos”?

Analisando as medidas anunciadas pelo Governo Milton Serafim/Jaime Cruz, esta pergunta se traduz, de forma sociológica, em outra: quais são os reais interesses por eles representados?

Tomemos como parâmetro, para responder esta questão, a última e provavelmente mais importante decisão tomada este ano pelo atual governo: a renovação do contrato que regulamenta a concessão do transporte público coletivo no município.

Há uma década, o mesmo Milton Serafim, firmava um contrato que concedia para a empresa concessionária, o direito de operar, por dez anos, o sistema público de transporte. Coincidência ou não, estava prevista a possibilidade de haver renovação por igual período quando ele voltasse ao poder.

Novamente no comando do governo, resolveu simplesmente anunciar, na semana passada, que a renovação era fato consumado.  Nem a contestação da população e o alerta feito por alguns vereadores de que era preciso debater com calma – já que muitas cláusulas do acordo em vigor não haviam sido cumpridas – freou a temerária decisão.

Lamentavelmente, as melhorias que a administração anunciou como garantidas, são secundárias e paliativas: reformas, iluminação, cestos de lixo, pequenas construções e pinturas. Elas não dão conta de atender as reais demandas da cidade.

Quem conversa com o povo nas ruas sabe da dificuldade daqueles que moram, por exemplo, em bairros como Vida Nova III, Caixa D’Água, Três Irmãos e na Região dos Sete Bairros para tomar os ônibus que, ora são demorados, ora estão lotados.

Não podemos perder de vista que se trata de um monopólio. Agora seria o momento de colocar na mesa pontos importantes como o “bilhete único”, o passe livre para os estudantes, o aumento das linhas e da capilaridade. Uma negociação minimamente comprometida deveria ter como meta a construção de micro terminais na Vila João XXIII, Centro e Distrito Industrial, com prazos para entrega.

Também exigiria o licenciamento (placas) dos ônibus na jurisdição de Vinhedo, para que o IPVA da frota que opera na cidade, seja creditado para a o município que a acolhe. Esses seriam, digamos, pontos de partida.

Uma cidade como a nossa não pode abrir mão de ter a maioria dos ônibus adaptados para portadores de necessidades especiais. Não somente três, como anunciado. Para se ter acessibilidade, quem precisa, vai ter que contar com a sorte!

Para contribuir com o acesso dos mais pobres às áreas de lazer durante o final de semana, Vinhedo teria condições de ter o transporte gratuito ou com razoável desconto durante o final de semana. Muitos municípios (pequenos e grandes) já fazem isso.

E o preço, é justo?  Muitas cidades têm um sistema mais eficiente que o nosso e os ônibus circulam com o valor muito mais barato em relação ao kilômetro rodado. Nenhuma planilha de custos foi apresentada. Com ela seria possível analisar, técnica e racionalmente, se o município deveria, ou não, subsidiar algumas das políticas acima citadas.

Em suma, penso que a decisão do governo municipal contém três graves vícios:

Autoritarismo

Por mais incrível que possa parecer, as negociações que tratavam do futuro do transporte coletivo e da mobilidade urbana em Vinhedo foram conduzidas à revelia da Câmara Municipal (incluindo parte da bancada governista), associações, entidades de classe e principalmente dos usuários.

Como em muitas outras questões de interesse estratégico, a decisão foi tomada por poucas pessoas. O Conselho Municipal de Transportes que também poderia cumprir um papel importante foi – da mesma forma como ocorre com a maioria dos Conselhos na cidade – ignorado.

Falta de visão estratégica

Debater o transporte coletivo significa, para quem se preocupa com o futuro da cidade, também refletir sobre o sistema de trânsito e sobre a mobilidade urbana de Vinhedo. Se quisermos construir uma cidade que seja moderna, justa, democrática e eficiente, precisamos de um transporte coletivo eficaz.

Havendo insatisfação, aqueles que costumam utilizá-lo serão estimulados a comprar mais veículos particulares, o que aumentará nossa já gigantesca frota, de mais de 30.000 veículos. Isso deixará nosso trânsito gradativamente mais problemático nas áreas e horários de concentração.

A cidade que tem um orçamento superior a 200 milhões de reais, considerando só receitas municipais, perde mais uma vez a chance de ser referência positiva. Não porque não tem dinheiro, mas porque não existe vontade política.

Ausência de transparência

Uma administração pública transparente não firma, de forma alguma, um contrato de 10 anos e depois o renova automaticamente, com o agravante de não exigir contrapartidas essenciais aos munícipes.

Primeiro, porque não se usa mais contratos tão longos, como este que vigorará durante três governos. Segundo, porque isso é uma decisão que deve ser tomada pela cidade e não por um grupo político. E terceiro, porque existem outros modelos de transporte público que podem ser considerados. Mesmo que a cidade optasse pelo modelo de concessão, a licitação pública é o caminho eticamente recomendável.

O mínimo que se esperava era a abertura de um debate, onde a sociedade civil organizada, através de audiências públicas pudesse opinar. Descentralizar o poder, democratizar a informação e conduzir com transparência uma negociação que envolve milhões de reais, era o mínimo que se esperava.

O transporte coletivo que queremos é bem diferente deste que decidiram em nosso nome!

Rodrigo Paixão

Vinhedo, 18 de dezembro de 2009.

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Retomando blog

Publicado por Rodrigo Paixão em dezembro 7, 2009

A partir da agora artigos e textos mais longos vou postar aqui no blog e texto ou comentários curtos no twitter, cujo endereço segue abaixo:

http://twitter.com/_Rodrigo_Paixao

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Em missão na Europa

Publicado por Rodrigo Paixão em agosto 31, 2009

Blog temporariamente sem atualização.

Estou em missão na Europa Ocidental.

Saudações a todos

Rodrigo Paixão

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